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Pesquisadores LAP2D Indicados ao Prêmio Destaque em Congresso de Iniciação Científica da UnB e do DF

Atualizado: Jan 3

Giovana Cristine Nobre da Silva, Natália Vasconcelos de Castro e Renan Gomes Damacena fizeram parte do Projeto de Pesquisa “Desvendando Dinâmicas de Ação Pública Transversal e Participativa”, orientado pela professora Fernanda Natasha Bravo Cruz, do Departamento de Gestão de Políticas Públicas e colíder do Laboratório de Pesquisas sobre Ação Pública para o Desenvolvimento Democrático (LAP2D). O projeto foi avaliado com menção de excelência durante o 25o Congresso de Iniciação Científica da Universidade de Brasília e 16o Congresso de Iniciação Científica do Distrito Federal, em 2019.


Nosso site entrevistou os dois graduandos de GPP pesquisadores do Laboratório e Giovana, recém-bacharela em GPP, para saber um pouquinho mais sobre a pesquisa realizada. Os pesquisadores também aceitaram o convite da UnB e participaram da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia do CNPq e do projeto de extensão "UnB perto de Você", oportunidades nas quais divulgaram os resultados de suas investigações.


LAP2D: Como é fazer iniciação científica?

Natália: A iniciação cientifica ampliou as dimensões no que diz respeito a minha formação no âmbito acadêmico instigando a necessidade de construção de um olhar crítico para entendimento da realidade e os mecanismos postos para desenvolvermos essa pesquisa. A trajetória envolveu aspectos individuais e subjetivos que se materializaram na pesquisa a partir da nossa experiência e descobertas, sobretudo, que dizem respeito a nossa contribuição como pesquisadores para potencializar o desenvolvimento do país. No percurso, busquei desvendar as dinâmicas de ação pública transversal e participativa (APTP) para instâncias participativas federais nos âmbitos nos âmbitos das políticas para mulheres e da promoção da igualdade racial, considerando a conjuntura política de crise e os esforços dos atores que compõem essas instâncias nos processos de articulação transversal durante o período de 2016 a 2018.


Giovana: Participar de um projeto de iniciação científica foi extremamente enriquecedor, em diversos sentidos da palavra. Primeiro, pesquisar é ter um mundo de descobertas que são capazes de interferir e mudar a realidade de exclusão e desigualdade em que vivemos, além de consolidar o que já suspeitamos: realizar pesquisas é um processo que nunca tem fim. Pesquisar também fortalece nossa autonomia e nos instiga a dar continuidade às nossas descobertas. No processo de estudos para consolidação de nossas pesquisas, buscamos entender como se dá a articulação e interação multisetorial dos âmbitos estudados (no meu caso, da Educação e Assistência Social), além de averiguar como a sociedade civil é convidada a participar dos debates de cada setor. Buscamos compreender tais questionamentos em um período político conturbado, no intuito de entender como os setores estudados reagiram ao contexto em vigor.


Renan: A iniciação científica significa desenvolver um novo jeito de pensar e interpretar a realidade. O PIBIC foi o meu primeiro contato com pesquisa e tive que coletar, analisar e interpretar dados. Apenas as aulas convencionais não conseguem oferecer a possibilidade dos alunos irem ao campo vivenciando novas experiências e realizando descobertas. Uma das principais experiências proporcionadas para mim pelo PIBIC foi a de representar o curso de GPP e a UnB, apresentando os resultados encontrados no campo da Cultura e Direitos da Criança e do Adolescente, no Encontro Nacional de Ensino e Pesquisa do Campo de Públicas (ENEPCP) que ocorreu em Natal.



Giovana Silva, Profa Fernanda Natasha, Natália Castro e Renan Damacena durante o Congresso de Iniciação Científica de 2019



LAP2D: O que foi investigado? E o que foi possível descobrir?


Giovana: No nosso PIBIC, tratamos da ação pública transversal e participativa nos âmbitos da educação, assistência social, cultura, direitos da criança e do adolescente, políticas para mulheres e promoção da igualdade racial. Tratando dos âmbitos da educação e assistência social, comparando-os, foi possível depreender um maior diálogo transversal da assistência social, tanto com entidades governamentais como com organizações da sociedade civil. Enfrentamos dificuldades no acesso a documentos e informações, o que retrata a ausência de transparência por parte do governo federal hoje em dia. Ao fim, fizemos descobertas incríveis que podem ser extremamente úteis na perspectiva de melhorar o acesso do público externo às decisões que impactam diretamente a sociedade civil.


Natália: Nos temas voltados para política para as mulheres e promoção de igualdade racial foi possível verificar os resultados da ação pública dos conselhos que demonstraram diversas particularidades do caráter em curso do projeto político conforme a conjuntura da época, entretanto notou-se características transversais e democráticas nas conferências voltadas para esse tema, que se articulam com diversos setores dando ênfase em suas deliberações para o fortalecimento de conselhos e políticas públicas. Também tive dificuldades no acesso a documentos e informações, devido à falta de transparência por parte do governo federal atualmente.


Renan: Tratando dos âmbitos da cultura e direito das crianças e adolescentes, comparando-os, foi possível depreender um maior diálogo transversal na área da criança e do adolescente propiciando a criação de diversos dispositivos para assegurar direitos e políticas para essas populações. Enfrentamos dificuldades no acesso a documentos e informações em especial sobre o âmbito da cultura, o que retrata a nova filosofia do governo federal de não priorizar o tema ou instâncias participativas. Fizemos descobertas que podem ser utilizadas para mostrar a relevância das instâncias participativas para a democracia.


Iris Silva, graduanda do GPP UnB, Renan Damacena, GPP e LAP2D, apresentando resultados parciais do PIBIC, Doriana Daroit, líder do LAP2D: pesquisadores participantes de eixo da Sessão Temática "Instrumentos de Gestão Pública", durante o III ENEPCP, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal, em 29 de agosto.



LAP2D: Como vocês se sentiram ao saber da indicação para o prêmio destaque do 25o Congresso de IC da UnB e o 16o Congresso de IC do DF?


Renan: Eu fiquei muito feliz com a indicação, sabia que a pesquisa era muito relevante para o momento atual e que poderíamos ter chances de conseguir a indicação. Ser indicado ao prêmio concorrendo com diversos pesquisadores de diferentes cursos foi o reconhecimento do bom trabalho que nós fizemos ao longo dessa jornada cientifica.


Natália: A indicação para o prêmio demonstrou o quão importante foi realizarmos essa pesquisa que apresenta novos olhares sobre as instancias participativas e como estas podem vir a desenvolver e articular novas ações e políticas públicas que atenda determinadas demandas específicas da sociedade civil. Compreender todo esse trabalho potencializa nossa perspectiva e também nos incentiva a realizar novas produções cientificas que deem retorno do que se é produzido dentro da academia para a sociedade civil.


Giovana e Natália, preparadas para a exposição de resultados do PIBIC, durante a ação extensionista “UnB Perto de Você”, no Parque da Cidade, em 05 de Outubro.


Giovana: Sabia da qualidade e relevância do nosso trabalho, porém também tinha conhecimento de inúmeras pesquisas com grande qualidade e excelência. Por isso, não esperava a indicação como pesquisa destaque. Fiquei extremamente feliz e orgulhosa do trabalho que construímos conjuntamente, acredito que o trabalho coletivo foi essencial para alcançarmos esse mérito. Além disso, pude perceber como é importante realizar tais pesquisas com o afinco e a seriedade demandadas.


O paper que resulta da pesquisa está disponível nos Anais do III Encontro Nacional de Ensino e Pesquisa do Campo de Públicas (ENEPCP), pp 1550-1568: https://bit.ly/2SNiWoN


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